UM CAMINHO PARA A MUDANÇA
“Mais uma crise se abate sobre nossas instituições políticas”. Manchete como essa dificilmente conseguiria atrair a atenção de um espectador que passasse indistintamente ao lado de uma banca de jornal. Sequer atrairia a atenção de um telespectador dos canais de televisão. Seria, então, uma falha na formação de nossos publicitários? Será que Washington Olivetto não conseguiu fazer escola?
Talvez o problema não resida, efetivamente, nas técnicas de comunicação! Ter o presidente do Senado implicado em negociatas, em recebimento de aluguel indevido, sua Fundação envolvida em desvio de verbas, etc... O que há de novo nisso? Como fazer uma “notícia velha” surtir interesse? E mais, um deputado ter um castelo, não declará-lo ao Imposto de Renda, contratar sua própria empresa de segurança para prestar esse serviço para si... Qual o problema nesses atos?
Tudo isso seria um problema, se levasse a uma solução! Mas os desdobramentos dos fatos nos mostram que há algo errado... e não parece ser somente em nossas Casas Legislativas, mas na própria população. A reprodução de eventos análogos a esses de forma continuada nos provam que a institucionalização da corrupção mais corrói o conceito ético da sociedade que gera prejuízo para o erário público.
Dessa maneira, a ética, tão bem discutida pelos gregos, ora tende a ter seu conceito obliterado. A sociedade não mais entende essas atitudes de nossos representantes políticos como antiéticas. Torna-se natural, perfeitamente aceitável! No entanto, eis que surge a possibilidade de reverter essa situação que sedimenta-se de maneira assustadora: através da Educação, da revisão de modelos pré-concebidos que poderiam quebrar desse círculo vicioso.
Assim, se a Educação se configura na melhor ferramenta para reavaliar o conceito de ética e proporcionar a reflexão da sociedade sobre seus valores políticos, a resenha do professor Celso Uemura para o livro de Flávio Brayner, “Educação e Republicanismo: experimentos arendtianos para uma educação melhor”, é um convite instigante para iniciar esse processo.
Também, a seção da revista dedicada aos artigos traz visões instigantes acerca do momento atual da Educação, e suas novas possibilidades, como no artigo de Juliane Viera, Karoline Giovanni e Sandra Cortegozo, “Um sonho que virou realidade: Escola da Ponte”, em que há a exposição da proposta visionária de José Pacheco. E o que dizer sobre o ato pedagógico, sua importância no processo educacional? Nesse sentido, os professores Edilene Silva e Marcos Araújo discutem essa questão no artigo “O transcender para o além do ato pedagógico”.
Ainda, como entender os meandros das ações políticas sem discutir os atos de nossos representantes? Partindo dessa premissa, a professora Adelaide Jóia nos traz em seu artigo, “Aprovação da PEC 277/08: avanço ou retrocesso?”, uma possibilidade para estar integrado às grandes discussões que pautam as políticas públicas.
Por fim, os dois outros artigos que compõem essa edição da revista discutem questões relacionadas ao processo de aprendizagem da língua portuguesa e a percepção que temos de nossos pares, cidadãos brasileiros. A professora Fabiana Martinheiro nos traz o artigo “Rumo à construção de um novo processo de ensino/aprendizagem em língua portuguesa: o texto lúdico”, e os historiadores, Márcia Ramos e Paulo Hipólito, o artigo “’Segregando Identidades’: como a imagem das crianças negras é construída nas salas de aula”.
Se, por um lado, a conjuntura política atual não se apresenta como algo para que o brasileiro se orgulhe, por outro, a possibilidade de trazer essa questão à tona e debater sua repercussão na sociedade é algo providencial para o surgimento de um novo paradigma. E, pela sua própria concepção, esse papel destina-se aos educadores!
Renatho Costa
Editor-Chefe