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  Professora Kátia Galdi
Para essa edição da Revista Perspectivas em Educação, a Profª. Ms. Tânia Regina Baptista, membro do Conselho Editorial, entrevistou a Profª. Kátia Galdi. Nossa entrevistada é formada em História e pós-graduada em sociologia, além de possuir formação em Pedagogia Waldorf realizada no centro de formação Rudolf Steiner/SP. Dentre seus projetos, a Profª. Kátia desenvolveu trabalhos com comunidades carentes na área de história social e com comunidade indígena. Trabalhou (com a pedagogia Waldorf) como professora de jardim de infância, grupo da terceira idade, além de ter ministrado curso de alfabetização de adultos e ter trabalhado como professora de história em curso superior. Atualmente é professora de 5º ano da Escola Waldorf Francisco de Assis, turma que ela acompanha como professora desde o 1º ano e orientadora na área de história e geografia.
 

Revista Perspectivas: Quais são as bases gerais da pedagogia Waldorf?

Profª. Kátia Galdi: A Pedagogia Waldorf tem como base o conhecimento e o reconhecimento do ser humano a partir da origem da própria humanidade, e isso, conforme se estuda e se compreende, elabora-se o currículo baseado nessa antropologia. Então poderia dizer resumidamente, que as bases da pedagogia Waldorf são o conhecimento, o estudo e o reconhecimento da antropologia geral.

Revista Perspectivas: Fale um pouco da Antropologia Geral.

Profª. Kátia Galdi: A antropologia geral é o conhecimento da fisiologia humana, mas não apenas do ponto de vista médico, orgânico, do corpo físico, mas também de todo conjunto de sentidos, de sensações que o homem ganha quando ele nasce. Então a sua história de vida começa devagarzinho desde que ele se faz ser humano reconhece na Antroposofia, tanto na pedagogia Waldorf (que tem a sua base na Antroposofia), uma vida anterior, pré-natal, e essa vida pré-natal acaba surgindo devagarzinho, vai aparecendo quando a criança nasce, pelos movimentos que ela realiza, pela constituição corporal... então quando o professor estuda antropologia, ele estuda que corpo é esse, o tamanho da cabeça, o que representa... os olhos, o pulmão, cada um dos órgãos, o que representa estas diferenciações, não só de raça e etnia, mas também as diferenciações individuais, de uma pessoa a outra, considerando inclusive o que é comum, como órgãos, o fígado, o que ele representa no corpo humano, o que é o coração, o que são os rins... enfim, tudo isso é estudado como órgãos dentro daquele ser humano, a relação do homem com seu meio considerando as habilidades, capacidades e qualquer dificuldade a ser superada;  isto é o estudo da antropologia geral.

Revista Perspectivas: Quais as principais características do currículo na escola Waldorf?

Profª. Kátia Galdi: As principais características que aparecem no currículo são de base artística, são de base social. Há em cada atividade um tanto do impulso social também. Depende como o professor vai lidar com o aspecto que envolve esta base, mas especialmente as bases artísticas... é o que vai trazer inclusive a diferenciação no currículo. Todo o currículo é dado em épocas, e estas variam quatro semanas, às vezes pode chegar a seis semanas, ou então, quando eles ficam maiores, a partir de um sexto ano, por exemplo, as épocas caem para três semanas. Então estudar um determinado assunto no período da manhã por quatro semanas, e depois aquele assunto é descansado na consciência da criança para talvez mais tarde voltar nele. Isso ajuda a trazer a compreensão do professor em relação à criança, do quanto é necessário essa pausa para a respiração. Isto é uma característica do currículo, do como é dado, envolve também a metodologia da pedagogia, mas eu diria que o aspecto essencial é a área artística, social e também o despertar da religiosidade que já existe no ser humano. Não é no sentido de lidar com dogmas, mas de resgatar a religiosidade que todo ser humano tem, e que especialmente quando criança se manifesta e depois a tendência adormecer, ficar esquecido...  na pedagogia, enfatiza-se as festas cristãs, então a religiosidade acaba tendo um peso muito grande.

Revista Perspectivas: Fale um pouco da metodologia...

Profª. Kátia Galdi: A metodologia vai depender em primeira instância do professor de classe. O que a gente poderia estar dizendo que faz parte do método da pedagogia Waldorf... por que não se pode entender a pedagogia Waldorf como um método..., mas o que pode fazer parte desse suposto método da pedagogia Waldorf, (que não é completamente definido assim), compreende-se todo ensino é dado em épocas, como eu já disse.  Inicia-se, pela manhã, uma abertura com um verso... esse verso tem o objetivo de centrar a criança para iniciar um trabalho, depois existe um trabalho rítmico que se faz, e dá também a importância para que as crianças façam a recitação de um verso que vai de encontro com necessidade que elas precisam conquistar a frente da classe, uma vez por semana e dali vem os conteúdos do dia. Então um momento de retrospectiva, uma pergunta que foi deixada no dia anterior é retomada naquele momento e as crianças têm a oportunidade de relembrar o assunto que foi tratado no dia anterior, e este assunto tem relação com a época. Então se a época é de matemática, as perguntas que vão vir ai têm relação com a matemática, se a época é de história, também, depende do que for. Depois disto, a novidade do dia, e dentro daquele conteúdo surge a novidade. O professor faz a exposição, a narrativa, descrição, depende do que é, do que ele está se propondo que a criança aprenda e isto depende da faixa etária, isto vai de dez minutos a vinte, até que vá para o caderno. No momento do caderno então eles vão levar para o registro escrito o que foi trabalhado no dia anterior e que muitas vezes surgiu na retrospectiva deste mesmo dia. No caderno aparecem textos e desenhos; esses desenhos são feitos na lousa pelo professor de classe e as crianças têm a tarefa de observar o desenho com o máximo de detalhes possível e reproduzir. Há momentos em que as crianças também têm a liberdade de criar os desenhos a partir da imagem que se formou da narrativa que foi contada, o que não invalida o desenho que ela tem que acabar copiando, reproduzindo. Essa cópia não é técnica é nem mecânica, e apenas uma necessidade de movimentar o que está como impressão de uma narrativa feita e essa impressão deve surgir no desenho o movimento que o professor deu para aquela parte da história que está sendo apresentada. Muitas vezes através do desenho fica imprimido a importância de uma cena daquela história, e isso não importa o conteúdo, pode ser de ciências, história, geográfica, língua portuguesa.
Como compreensão de método eu acho que é isso, porque não dá para dizer que todos os professores agem da mesma maneira, o que dá pra dizer é que toda escola Waldorf tem essa estrutura, mas o como isso é feito, que poderia envolver o método e didática do professor tem relação com o aspecto pessoal, com a experiência, intuição, percepção de cada um.

Revista Perspectivas: Quais as contribuições que a Pedagogia pode dar à pedagogia em geral?

Profª. Kátia Galdi: Em primeiro lugar eu acho que a maior contribuição que a pedagogia Waldorf pode dar a outras pedagogias é mostrar o quanto é importante que o professor observe o aluno que ele tem em sala, que observe a criança, independente de uma outra escola ser ou não Waldorf, no caso de uma escola pública ou não, se o professor cria um hábito e um método próprio de observação da criança, ele vai aprender a lidar com a criança de maneira que, em primeiro lugar, não entre em conflito com ela, não há um estado de irritabilidade na relação, e segundo todos os recursos que ele for usar para ajudar aquela criança a se desenvolver em seu caminho de aprendizagem na escola, virá como intuição a partir da observação que ele faz, então essa é a maior contribuição a meu ver, além do que se vê como arte, quer dizer, os outros professores possam perceber que também podem ser capazes de desenhar, de pintar, de escrever de próprio punho, cantar, tocar, que tudo isso depende também do quanto cada um se envolve em cada uma destas atividades.

Revista Perspectivas: Diante do panorama atual, onde a criança está sendo iniciada na alfabetização com 6 anos e as vezes até menos, como se posiciona a pedagogia Waldorf, visto que nela só se inicia qualquer contato com a alfabetização no ano em que a criança completa sete anos?

Profª. Kátia Galdi: A pedagogia Waldorf existe desde 1919, surgiu em Stuttgart, de uma maneira muito interessante. Steiner compreendeu a necessidade de que operários de uma fábrica de cigarros, Waldorf/Astória, pudessem dar condições (os filhos dos operários) de um ensino de boa qualidade numa época de pós-guerra, onde a Alemanha estava falida, o que é que se percebeu desde esta época? Que a cada mudança física, emocional que a criança, o jovem e o adulto viver, existe um marco que acontece: os gregos na antiguidade já haviam descoberto que a cada sete anos há uma situação muito específica que acaba acontecendo no aspecto físico, para todo o ser humano, por volta de uma idade que envolve um ciclo que dura sete anos e também no aspecto emocional, da sua própria biografia também há situações específicas, individuais que vão acontecendo e que marcam essa mudança de ciclo. Então entende-se em primeiro lugar que a criança deveria ter um maior tempo possível para brincar e brincar plena de sentido, quer dizer: a brincadeira vai preparar o trabalho do adulto. O brincar da criança é tão importante quanto o trabalho do adulto e se a criança tem a possibilidade de desenvolver habilidades brincando, ela vai devagar se preparando para o caminho da alfabetização. Se nós não acelerarmos o ensino das letras, dos números, a contagem... se a alfabetização matemática e gramatical não acontecer antes dos sete anos, a criança vai ganhar então primeiro – vitalidade, ela vai ganhar capacidade de estar se mostrando mais criativa, vai ganhar a capacidade de desenvolver a paciência, a calma, a serenidade, mesmo para aqueles que já têm uma tendência a se tornarem mais agitados no seu dia a dia. Isso acaba trazendo fluidez para o coração e para a própria fala. Hoje vemos que a LDB, a educação no Brasil já reconhece através do governo a necessidade de um ciclo de nove anos e não mais de oito. O que está acontecendo? Estão puxando para antes, então, ao invés da criança começar o primeiro ano escolar com sete anos, ou por volta dos sete, ela está começando o que era pré. Ele virou o primeiro ano com seis anos e, para preparar para o primeiro ano existem os jardins da infância privados que estão já se preparando para cada vez mais levar informações do mundo adulto para as crianças pequenas. E o que é que a gente pode pensar disso? Que a alfabetização vai até acontecer, porque as crianças têm muita inteligência e tem todas as condições de estarem acolhendo estas informações, só que para a saúde física, emocional e mental destas crianças é o maior desastre que a gente pode ter; isso impede que haja a esperança e a fé nas relações humanas futuras, isso impede que as crianças consigam desenvolver as suas habilidades da maneira mais serena e desenvolver a confiança, não só nelas próprias, do que elas são capazes, mas no outro e no mundo. É o exemplo maior que nós temos do materialismo, do nosso futuro alfabetizando as crianças antes.

Revista Perspectivas: O que dizer de críticas à pedagogia Waldorf como: “os alunos não aprende todo o conteúdo como numa escola tradicional” ou “os alunos que saem da escola Waldorf não conseguem se adaptar em outras escolas”?

Profª. Kátia Galdi: Existem chavões como críticas, chavões críticos que aparecem de forma totalmente equivocada porque verdadeiramente, as crianças se adaptam em outras escolas quando saem da escola Waldorf. Isso depende do ano em que ela está saindo, até pode haver uma dificuldade maior porque se aquela criança tem algum distúrbio de aprendizagem, se aquela criança tem uma relação maior com a professora e quando isso é interrompido, dependendo para qual escola vai, quem é o professor, enfim é claro que isso pode também criar uma intimidação, mas em geral nós não temos informações de que as crianças que saem e acabam entrando em uma escola tradicional tenham dificuldade de adaptação, então isso é uma inverdade. Segunda inverdade que não aprendem todo o conteúdo. Como as pedagogias estão distantes dessa realidade,  não compreendem o que se faz dentro da pedagogia Waldorf existe uma tendência a trazer rótulos como esses, críticas, sem fazer uma leitura mais correta do currículo. Quando se olha o currículo da escola Waldorf se percebe que ele é muito vasto, só que como o ensino é dado em épocas, os conteúdos de matemática, história, gramática, geografia e ciências, são desmembrados, quem olha sem ter conhecimento tem a impressão que todos os conteúdos ainda têm algum buraco, mas ele não tem buraco algum, pelo contrário, enquanto numa escola comum, uma criança de quinta série, sexto ano, também que se chama aí fora, está tendo aula de ciências, ou melhor, vou dar um exemplo mais específico: a geografia.  Na geografia (da escola tradicional) ele tem um livro didático, do qual não é usado numa escola Waldorf e ele tem um livro que o professor vai junto com a classe estudar muito genericamente a geografia física da Terra, a formação da Terra, o big bang, a grande explosão, enfim tudo passa muito repentinamente de forma muito científica. O que é que vai acontecer na escola Waldorf? A geografia vai, por exemplo, ser dividida em três partes e as crianças vão sim estudar esta formação do mundo de uma maneira primeiramente mítica e depois segundo como a ciência explica, com imagens que leve para um passado sem que haja um caminho absolutamente técnico. A outra parte da geografia que entra é a mineralogia, e vai ser olhado ali a composição das rochas, que pedra é aquela, como elas surgiram no mundo, qual é a utilidade dessas pedras hoje, é uma época para isto e há também uma outra matéria brilhante é a astronomia, quando as crianças vão olhar para o céu e poder observar a constelação de escorpião por exemplo. Isso você não vai encontrar numa escola que não seja Waldorf. É uma inverdade, não é nem mito.

Revista Perspectivas: Que diferencial pode ser visto na escola Waldorf quanto ao comportamento?

Profª. Kátia Galdi: O maior diferencial é que durante todos os anos escolares a criança aprendeu a conviver de uma maneira verdadeira com o outro e a compreender que a diferença pode ser somada e dessa maneira as diferenças que surgem não significam que elas são sempre aceitas e compreendidas da melhor forma, mas as diferenças são olhadas de frente e as crianças passam a conviver e a compreender o que de fato vive naquela diferença, de um ser com o outro, além disso, aprendem a se ajudar. Na medida em que isso acaba acontecendo no dia a dia, o comportamento desses jovens, (quando se tornam jovens), no final do ensino fundamental, o seu maior impulso é ir para o mundo e conquistar um ideal, faz parte da adolescência isso... e esse ideal deve vir ao encontro daquilo que acreditam no mundo e que o mundo para ser verdadeiro precisa ter um valor, um sentido e estes eles encontram com o fundamento na escola com os sentimentos, por exemplo, críticos levados ao amor, a tolerância, a perseverança em relação ao outro. Reconhecendo as diferenças e aprender aceitá-las também. Isso é a maior diferença que existe no comportamento inclusive no dia a dia dos pequenos e especialmente dos grandes.

Revista Perspectivas: Como a escola Waldorf lida com alunos que apresentam maiores dificuldade de aprendizagem?

Profª. Kátia Galdi: Como eu estava colocando anteriormente, o professor precisa observar a criança. Se ele tem uma sala com vinte ou de trinta alunos, ele precisa observar os trinta juntos e individualmente. É uma tarefa bem difícil, mas é importante e necessário que isso aconteça. Na medida em que ele vai observando e identifica as primeiras dificuldades que a criança manifesta, e às vezes essas dificuldades não são tão aparentes, às vezes elas estão escondidinhas e vão bem devagar aparecendo e nem são transparentes no começo do ciclo fundamental; elas aparecem tão sutilmente e só vão aparecer no 6º. Ano por exemplo. A maneira de lidar com isso é trabalhando pedogagicamente as necessidades daquela criança. Dentro dos conteúdos e dentro da dinâmica da aula isso pode ser permitido. Como? Durante a narrativa de histórias, por exemplo, existe o momento daquele conto ou da biografia de uma personalidade que esta sendo narrada, tem o momento daquele ser que vai ser muito mais importante para uma criança ou para um jovem daquela sala do que para os outros. Então vai se fomentar a importância dessa fase em que se conta isso, e de que maneira? Não só pela intensidade que o professor narra, mas também pela posição que ele está na sala: muitas vezes de frente para este jovem, ao lado, tocando, olhando nos seus olhos, e isso sem que seja revelado na oralidade dele, para a sala toda, o porquê que ele está naquela mesa, tocando naquela criança, porque isso tem que ser de uma dinâmica que aconteça todos os dias com alguma criança. Essa é uma maneira.
O trabalho artístico também, ele pode ser priorizado, o conteúdo artístico que se vai fazer com uma aquarela, ou se vai fazer carvão como no 6º ano, por exemplo, pode se estudar a necessidade de uma atividade ou outra dependendo do que uma criança está pedindo. O que se vai trabalhar com as linhas da reta e da curva, não na geometria propriamente, mas no desenho de forma, também considerando as necessidades individuais. Se ainda assim, as dificuldades de aprendizagem de uma determinada criança se manifestem tão fortemente e na sala, no grupo, não é possível de cara resolver, então o que é que faz o professor? Ele retira a criança da sala posterior a aula, ou seja, ele solicita um horário a mais, pode ser dez, vinte, trinta cinqüenta minutos, depende, e uma vez ou mais na semana, enfim, durante um tempo que ele determine que seja importante e ele vai trabalhar alguma atividade específica com aquela criança fora do grupo. Quando ele percebe que a criança está pronta, ele dispensa dessas aulas a parte, e aí possibilitar que o trabalho em conjunto se volte para as suas necessidade também, isso costuma dar resultado.

Revista Perspectivas: Ultimamente podemos ver que a juventude, além dos problemas com drogas, gravidez precoce, consumismo tem apresentado um empobrecimento na sua produção intelectual: redações empobrecidas, quase ausência de críticas, no seu ponto de vista, como uma formação humanista como a pedagogia Waldorf pode auxiliar nestas questões?

Profª. Kátia Galdi: Pode auxiliar muito, porque se o professor tem que observar a criança, ele tem que observar o mundo e ele traz as melhores qualidades que o mundo tem para dentro da sala de aula. Se as crianças percebem que o professor é entusiasmado e traz qualidades do mundo que ele acredita e vive, para dentro da sala de aula, elas também começam a desenvolver a observação do mundo e do que há de mais positivo e suas qualidades. A partir do momento em que ela faz isso através do caminho do professor, portanto é um processo de auto educação também para o educador, porque se ele não faz este caminho de auto educação ele não consegue desenvolver esta proposta com a criança, então a criança começa desde pequena a desenvolver este caminho. O que é que precisa ser feito: o professor precisa ter compreensão de como dosa as suas atividades curriculares, pedagógicas, para não sobrecarregar a criança, principalmente em momentos errados. Com relação a lição de casa: o quanto se dá, como se dá, como se corrige, o quanto corrige, o quanto corrige de cara, o quanto a criança pode ser estimulada numa leitura, o quanto ela pode perceber que ela contribui com a classe, e, quando ela pode perceber que pode contribuir, o professor deve usar do seu conhecimento técnico, relacionando ao que vem surgindo, nascendo nessa relação com as crianças, com a classe, para que ele possa ensinar a criança a redigir textos que venham a trazer devagarzinho qualidades e quando ele ajuda as crianças a redigirem estas qualidades de um tema ligado muitas vezes a esta observação, o que vai acabar acontecendo é que em determinado momento da vida dessa criança que já deixará de ser criança, se tornando jovem, a partir do 7º. Ano, ele começa a devagar a se separar de determinadas situações que a afastam daquilo que é mais belo, que parece ser tão verdadeiro para ela, que ela aprendeu a acreditar e se ela percebe no mundo, especialmente quando entra na adolescência que existem características de fatos históricos, por exemplo, de fatos sociais que não venham de encontro com aquilo que ela aspira... que ela acredita; então ela aprende a fundamentar com base com tudo o que ela desenvolveu anteriormente. Nesse sentido, a escola Waldorf, o trabalho que se realiza é passo por passo, quando a criança pode completar o ciclo na escola, consegue se enxergar no ensino médio o que é que se fez de verdade.

Revista Perspectivas: Conte um pouco de sua experiência na Escola Waldorf Francisco de Assis.

Profª. Kátia Galdi: A Escola Waldorf Francisco de Assis é a escola do coração, foi a escola que me acolheu... eu já tinha experiência em trabalhar em educação primeiramente como professora de jardim e depois como professora de história e quando eu assumi as aulas aqui na Francisco eu assumi como professora de História do nono ano, trabalhando com cada ano um tema específico da nossa atualidade brasileira; desenvolvi um estudo sobre patrimônios históricos, de museologia enfim, vários temas foram trabalhados. Desde que eu assumi a classe a qual hoje está no 5º. Ano eu venho cada vez mais, a cada dia, percebendo o quanto eu aprendo diariamente com essas crianças o quanto elas me ensinam e as famílias também, então é um trabalho em conjunto muito grande, até porque além da sala de aula, há uma experiência com a escola, ela não se resume (que já é muito grande) ao trabalho de classe, mas com a governança, eu faço parte do grupo de qualidade pedagógica dentro da escola, e esse grupo é responsável por olhar a qualidade do trabalho pedagógico do professor dentro da escola Francisco de Assis. É uma tarefa difícil e grande, e este é o segundo ano que estou neste grupo.
 A cada ano nós trabalhamos situações na sala de aula que devem de alguma maneira aparecer no mundo; as crianças levam isso para fora comigo, então nós tivemos, por exemplo, no terceiro ano o momento em que as crianças fizeram o forno, isso é feito na escola normalmente, mas como foi feito, esta experiência foi muito intrigante e a experiência no terceiro ano com a casinha foi fantástica, maravilhosa, nunca vivi algo tão grandioso como foi observar, compartilhar o processo de desenvolvimento das crianças, desde a escolha da casa que elas queriam fazer quanto o momento da execução. Com vinte e sete crianças trabalhando a sua própria casa, em momentos diferentes. Isso foi uma experiência novíssima para mim, e novíssima na escola, normalmente as casinhas são feitas em casa. O fato das famílias em conjunto com seus filhos construírem a casa no Larzinho foi uma experiência linda, a classe ter ido no ano seguinte brincar com as crianças do larzinho, também foi uma atividade social. Neste ano fizemos uma apresentação junto a uma escola da região para criança e jovens especiais muito comprometidos, não só no aspecto cognitivo, mas também no físico, foi a dança de shiva, uma dança hindú.
A experiência é muito grande, ela está ligada a sala de aula, onde hoje eu estou com o 5º ano, está ligado ao nono ano que eu trabalho com história e geografia Lá, em cada ano tem um projeto, neste ano nós estamos desenvolvendo um documentário fotográfico sobre o rio Tietê. A governança da escola, sou responsável por um trabalho mensal sobre estudos dos conteúdos religiosos para futuramente se implantar, quem sabe, o ensino religioso na escola. Esta é uma experiência vasta, grande... acho que é isso.

 
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