Quarenta anos depois
1968 começou, porém, segundo Zuenir Ventura, nunca terminou. Quando revemos os acontecimentos dessa data – já com quarenta anos de distanciamento – é possível fazer uma reflexão menos pessoalizada e sem a forte imposição ideológica que o mundo bipolar induzia. A URSS ruiu com o projeto socialista – mesmo que ele estivesse muito distante do ideal marxista – e os EUA reafirmaram o poder do capitalismo sobre o mundo.
Mas 1968 tornou-se um marco histórico porque os questionamentos políticos e sociais nunca antes haviam sido colocados em xeque como naquele momento. Em várias localidades do mundo surgiram “focos revolucionários” e a juventude – grande parte formada por universitários – utilizou ações afirmativas para expor suas vontades. Contra governos, políticas, economias, modelos instituídos, etc.; esses jovens foram às ruas para protestar contra tudo que significasse reacionarismo.
O resultado dos movimentos de 1968, hoje, ainda é objeto de estudos. A mudança, tão almejada pelos revolucionários, não se deu completamente e, no bojo das transformações, o mundo deu um salto não imaginado pelos jovens pré-Woodstock. Assim, a tecnologia, que fez com que o mundo coubesse na tela de um computador, que aproximou civilizações – segundo alguns autores, também as afastou –, nessa edição é objeto de estudo do Profº Ms. Antonio Gava. Em seu artigo, ele discute a relação dos educadores perante a tecnologia.
À parte os avanços gerados pelas novas técnicas, o Profº Dr. Walter Praxedes, no artigo intitulado “A Questão Racial e a Superação do Eurocentrismo na Educação Escolar”, volta seu olhar para uma questão que acompanha o desenvolvimento do país, tornando-se, em muitos aspectos, um problema crônico. Ao analisar as relações interétnicas e raciais na educação escolar brasileira, nos presenteia com perspectivas instigantes e polêmicas.
Se, por um lado, 1968 significou um marco revolucionário, por outro lado, não é possível afirmar que tenha conseguido resolver alguns problemas endêmicos. E, nessa edição, o Profº Dr. Celso Uemori, em seu artigo “Manoel Bonfim, entre a Educação e a Revolução” aborda um deles, qual seja, a questão acerca da “educação ou revolução” para redimir o país dos “males de origem”.
Ainda contamos com as colaborações dos artigos de Suzete Graziano, que discute a diversidade e desigualdade social na escola, e da Profa. Ms. Adelaide Jóia, que propõe uma visão panorâmica acerca da “primeira infância”. Na seção RESENHA, o Profº Ms. André Camargo, em “Sobre a Necessidade de Didática” discute a obra de Marcos Masetto, “Didática – a aula como centro”.
A partir dessas valiosas contribuições e das informações acerca de Educação contidas na Revista, desejo que essa edição possa reacender a chama revolucionária dos idos de 1968 e propicie muitas discussões nos próximos números. Até porque, a revolução também se dá através das palavras!
Renatho Costa
Editor-chefe